20 de Agosto de 2014

Terapia fonoaudiológica na deficiência auditiva

Intervenção

A população de crianças deficientes auditivas apresenta uma grande variedade de características e necessidades. Deficiências auditivas diferem em termos de localização, causa, tempo de aquisição, grau de deficiência e estabilidade do limiar. Elas podem ocorrer sozinhas ou em combinação com outras deficiências. Cada um desses fatores tem influência na deficiência auditiva, no tipo de intervenção, no sucesso da intervenção e, consequentemente, em todo o desenvolvimento psicossocial da criança com deficiência auditiva.

A Fonoaudiologia sempre teve um papel importante no atendimento do deficiente auditivo. O médico otorrinolaringologista ao suspeitar de um caso de deficiência auditiva, em geral, encaminha o paciente para a realização da avaliação audiológica e após a confirmação do diagnóstico de deficiência auditiva, essa criança é encaminhada para seleção e adaptação dos AASIs e/ou para programas de implante coclear, e, assim, para o trabalho terapêutico. É o fonoaudiólogo que orienta a família sobre as possibilidades educacionais e terapêuticas oferecidas à criança deficiente auditiva para que a família decida os passos a serem dados para a conquista do melhor desenvolvimento bio-psico-social da criança.

É fundamental dar transparência ao modelo de atendimento terapêutico oferecido à criança diagnosticada com deficiência auditiva, à concepção de linguagem que permeia o processo terapêutico e às conseqüências trazidas pelas opções educacionais.

Importante também que os profissionais que atuam com a criança deficiente auditiva e a família compreendam que o processo terapêutico e as opções educacionais na deficiência auditiva infantil ocorrem entrelaçados, mas são distintos.

O processo terapêutico significa o processo de intervenção com a criança, especificamente no que se refere à escolha e adaptação dos aparelhos de amplificação sonora individuais, o encaminhamento para programas de implante coclear, a indicação de outros dispositivos auxiliares na deficiência auditiva e a terapia fonoaudiológica. Esta, por sua vez, voltada ao desenvolvimento das habilidades auditivas e a aquisição da linguagem oral e envolvendo o acompanhamento da criança na escola, a orientação aos professores e a orientação e o aconselhamento familiar.

As opções educacionais significam as escolhas feitas para a criança no que se refere ao modo de comunicação (oral e/ou gestual), à comunicação alternativa para crianças com alterações motoras graves, à escolha pelo ensino regular associado às salas de recursos, entre outras opções necessárias e condizentes com as necessidades de cada criança.

O processo terapêutico

O processo terapêutico da criança com deficiência auditiva inicia-se logo após o diagnóstico. Ainda na fase de seleção, indicação e adaptação dos AASIs devem ser iniciados a orientação e o aconselhamento familiar, assim como a terapia fonoaudiológica.

Bevilacqua e Haymann (2007) apontam que após o diagnóstico da deficiência auditiva e após a indicação e a adaptação do AASI, a função auditiva deve ser desenvolvida ou recuperada, na dependência da época de instalação da deficiência. No caso das perdas auditivas adquiridas, um trabalho de reabilitação deve ser realizado para a recuperação da função perdida. Já no caso das perdas auditivas congênitas é necessária a habilitação, ou seja, o desenvolvimento de uma função ainda não iniciada.

A terapia fonoaudiológica da criança com deficiência auditiva é voltada à habilitação e à reabilitação auditiva. Esta é a área de conhecimento responsável pelo processo terapêutico das alterações da função auditiva que impedem e/ou dificultam a aquisição da linguagem oral em crianças com deficiência auditiva pré-lingual, e causam dificuldades de comunicação em crianças com deficiência auditiva pós-lingual (Bevilacqua e Haymann, 2007). No Brasil, esta especialidade denomina-se Abordagem Aurioral (Bevilacqua e Formigoni, 1997; Bevilacqua e Moret, 2007).

Ressalta-se que, tanto na habilitação como na reabilitação da função auditiva, a intervenção é processual, e abarca um conjunto de procedimentos comum para ambos os processos, que começa no diagnóstico da perda auditiva, atravessa a seleção, a indicação e a adaptação dos dispositivos eletrônicos, e se estende até a terapia fonoaudiológica aurioral com a orientação e o aconselhamento familiar (Bevilacqua e Haymann, 2007).

É importante lembrar que a avaliação contínua do desempenho da criança faz parte do processo terapêutico, tanto no que se refere ao progresso das habilidades auditivas quanto ao progresso da linguagem oral. A avaliação contínua exerce um papel fundamental na definição de condutas, quer seja na indicação de outros dispositivos eletrônicos aplicados às deficiências auditivas ou na realização de outros procedimentos pertinentes à intervenção.

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